Todo ano, no mês de junho, o romantismo parece ganhar espaço extra nas vitrines, nas mensagens e até nos gestos. O Dia dos Namorados chega sempre acompanhado de corações, flores, jantares e declarações. Mas será que essa data nasceu por causa do amor… ou por causa do comércio?
A resposta talvez seja um pouco dos dois. No Brasil, o Dia dos Namorados não surgiu como uma tradição cultural espontânea, mas sim como uma ideia de marketing. Em 1949, o publicitário João Doria foi contratado por uma loja de departamentos para movimentar as vendas no mês de junho, que era considerado fraco para o comércio. Inspirado pelo Valentine’s Day americano e pela devoção popular a Santo Antônio, conhecido como o “santo casamenteiro”, ele sugeriu o dia 12 de junho como uma oportunidade para os casais celebrarem o amor — e comprarem presentes, é claro. A campanha foi um sucesso, e a data pegou.
Contudo, muito antes disso, no século III, em Roma, um padre chamado Valentim já fazia história. Ele desafiava o imperador Cláudio II, que havia proibido casamentos para incentivar os jovens a se alistarem no exército, e realizava uniões em segredo. Acabou preso e executado em 14 de fevereiro — data que, em muitos países, virou o Dia de São Valentim, ou Valentine’s Day. Ou seja, há raízes verdadeiras de amor e resistência por trás da ideia de celebrar o afeto em uma data específica.
Mesmo que o nosso Dia dos Namorados tenha surgido como uma jogada publicitária, ele se transformou em algo maior. O valor da data, no fim das contas, é o valor que cada casal escolhe dar a ela. Há quem prefira presentes, jantares e flores. Há quem celebre com um bilhete simples, uma caminhada de mãos dadas ou apenas a presença silenciosa de quem ama. O problema não está nos presentes, mas no vazio que às vezes eles tentam preencher.
É aí que entra a reflexão: estamos amando ou apenas comprando? Estamos presentes ou apenas seguindo um roteiro? O amor verdadeiro não depende de data no calendário, nem de embalagem com laço. Mas talvez o Dia dos Namorados sirva, sim, como um lembrete — não para gastar, mas para lembrar. Lembrar de olhar nos olhos, de agradecer pela companhia, de cultivar o cuidado no dia a dia.
Entre o apelo do comércio e o desejo de conexão, cada um escolhe o que quer celebrar. E talvez o melhor presente ainda seja o mais simples: amar com intenção.